Bela…


Eram dias chuvosos de fevereiro do ano passado. Meu telefone tocou e uma amiga da minha mãe contou-me que havia uma poodle andando desesperada pela rua. Ela subia e descia o morro, chorava e batia a patinha no portão de ferro de um vizinho.

Lá vou eu quase meia-noite pra “ver” a tal poodle. Me aproximei, tentei contato mas ela estava tão agitada… minha mãe cercou de um lado e eu do outro então me aproximei mais e mais e aquele olharzinho doce e assustado me olhou como se dissesse: “Me tira daqui por favor”. Me agachei para colocar a coleira e vi que seu pescoço envolto a nós e pêlos maltratados abrigava um enorme tumor. Tinha o tamanho de uma laranja. Me assustei mas não titubiei, sabia que fora Deus que me mandou ali resgatá-la.

Tinha um odor tão forte que as janelas do carro vieram todas abertas. Ao chegar em casa ela se deparou com uma outra hospede na ocasião, a Lilica (uma mestiça de pastor alemão que doei dias depois). Não quis comer, só corria acelerada na frente do portão, queria ir para a rua. Estava meio molhada então decidi colocá-la no chuveiro para tirar um pouco do mau cheiro. Ela adorou. Foi um banho meia-boca porque não havia condição com tantos nós. Sequei com secador. Ofereci comida novamente e ela devorou. Era como se dissesse: “Obrigada pelo banho agora sim tá bom”. Dormiu a noite inteira.

No dia seguinte eu pedi para a Karina bucá-la para dar banho e tosa (levei um bronca de ter dado banho em casa pois dificultou a tosa mas pula esta parte) e ao buscá-la veio toda feliz  de vestidinho lilás que ganhou da tia Karina.

Na mesma noite que a busquei no Vira-Lata passei na clínica Das Geraes e o Dr Edmon já agendou a cirurgia de retirada do tumor e a castração. Disse que a poodle (mestiça com cocker) tinha em torno de 7 anos. Dois dias depois a poodle que ganhou o nome de Bela, passou pela cirurgia que correu tudo bem. Só no pescoço foram 7 pontos.

A idéia inicial era doá-la assim que se recuperasse mas ela conquistou todo mundo em casa e depois de passar tanta coisa achei que ela precisaria de cuidados especiais. Pronto, Belinha passou a ser membro oficial da família. Veio dias depois do meu aniversário, como um presente. Foi assim que ela entrou na minha vida, e eu na dela.

Ela adora usar roupinhas, tomar banho… mais ou menos, mas o secador é a parte favorita. Acompanhava todas as visitas até o portão e também em volta da mesa da cozinha vai que sobre alguma guloseima né? Em dias de futebol cada gol ou rojão ela latia sem parar, bater em alguém perto dela nem pensar, ia direto pra para cima apartar a “briga”. E assim ela tivera dias felizes com sua caminha na sala e todas as regalias. De manhã, solzinho com os irmãozinhos no quintal, não antes de dar bom dia para a vovó Carmen. Coisas de Belinha…

Coisas que estão guardadas na memória. Hoje Belinha está doentinha. Ela tem problema renal crônico e já não é mais a mesma. Está em tratamento e eu estou fazendo e farei o possível para vê-la bem. Estamos tendo dias muito difíceis, ela está fazendo tratamento de hidroterapia todos os dias e já não quer se alimentar. Estou muito triste com o sofrimento dela.

Este desabafo todo é para mostrar que devemos ser responsáveis pelos nossos animais. A Bela ficou comigo mas eu poderia tê-la doado um ano e meio atrás quando a tirei da rua e aí? Será que o outro dono teria a mesma dedicação? Será que quando as pessoas saem de casa  para adotar um animal elas têm mesmo a consciência de que é como deveria ser no casamento: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença? Pensem nisso…

Eles sentem, têm sentimentos sinceros… eles sofrem.

Há uma frase que eu gosto muito de um livro que eu adoro que é a seguinte:

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”

Antoine de Saint-Exupéry

 

Vamos pedir a Deus que ela fique boa logo.

Fernanda Moreno

4 Respostas so far »

  1. 1

    Veruska said,

    Linda história!!! Vou estar orando por ela!!! e faca pensamento positivo, sempre!

  2. 2

    Nívea - voluntária said,

    Oi Fê,que história linda dessa menina.
    Deus coloca a gente no cominho certo…quantas vezes a gente muda o caminho pra casa sem saber o por quê e encontra um cachorrinho precisando de ajuda…
    A Belinha encontrou você…
    Ela vai melhorar ,estou rezando por ela e logo ela vai voltar a ser a Belinha gulosa de sempre…
    beijos

  3. 3

    Adriana - voluntária said,

    Oi Fe, com certeza estamos orando por ela e se Deus quiser em breve ela estará ótima! Sem dúvida nenhuma ela conseguiu a melhor mãe do mundo…beijos Adri

  4. 4

    Adote Já said,

    Obrigada Veruska! Ela já está melhorando vai dar tudo certo 🙂 Fernanda


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