Posts tagged animais resgatados

O valor das coisas


Olá, humanos.

Eu sou a Deka Pimenta e pra mim objetos são objetos, enquanto vidas são vidas.

As pessoas adquiriram o estranho hábito de confundir essas duas coisas e tratam objetos como vidas e vidas como objetos.

O mais recente exemplo que eu tive, foi o da Bibica.

Ela é uma cadela de porte grande e pelo dourado, sem raça definida.

Foi atropelada e machucou bastante a pata dianteira direita, então seu dono a levou ao veterinário.

Lá, o “profissional” disse que seria necessário uma cirurgia para a patinha dela ficar perfeita, mas também poderia tentar imobilizar, com um grande risco de o osso calcificar torto.

O dono optou por imobilizar. Ela ficou com a patinha torta.

Quando ele foi buscá-la e a viu mancando, simplesmente a abandonou no veterinário, como se desfizesse de um objeto que foi danificado sem conserto.

O “profissional” a manteve lá por um tempo, mas sabia da dificuldade de conseguir quem adote um animal grande e deficiente. Então ele tomou a sábia decisão de sacrificá-la, dizendo que estava gastando ração com a Bibica.

Por sorte a voluntária Mariana ficou sabendo do caso e abrigou a Bibica em sua casa.

Mas confesso que me cortou o coração ver a coitadinha na feira de sábado passado.

Quando não havia ninguém dando atenção a ela, ficava deitada no chão com os olhos tristes, ganindo.

De mulher pra mulher, a gente sabe o que é ter um coração partido. Ela ficava tentando sentar, ainda pouco adaptada à pata com problema e quando sentei perto dela, a Bibica só deitou a cabeça no meu colo e ficou lá quietinha. Nem fez festa como os outros cães fazem.

Espero de coração que a Bibica encontre logo alguém que a faça feliz e a trate como um cão merece. Porque ser confundida com um objeto ela já foi.

Veja mais fotos da Bibica e da última feira de adoção, em nosso flickr.

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Vivendo e aprendendo


Olá, humanos.

Esse é o Preto me seduzindo.

Eu sou a Deka Pimenta e eu fazia o maior escândalo quando precisava ir pro hospital.
Juro! Quando eu era criança, tive bronquite. E quem já teve casos na família, sabe que as internações são tão rotineiras, que acabamos conhecendo os enfermeiros e médicos por nome e horário de plantão.
Acontece que eu sempre fui uma criança chorona. Então, quando tinha que tirar sangue, tomar injeção, ou soro na veia, era preciso o médico, a enfermeira, minha

Agora só tem a cicatriz na patinha dele

mãe, meu pai e mais dois seguranças pra me segurar quieta e os pobres profissionais da saúde poderem trabalhar. Coitados. Vocês vão pro céu, amigos. Sério!
Estou contando mais essa experiência aqui, porque depois que eu conheci o Preto, fiquei vergonha dos meus vexames.
O coitadinho chegou na Adote Já com um baita dum talho na pata, que praticamente a dividiu em duas.
“Mas durante o tratamento”, conta Priscila, “ele ficava quietinho pra aplicação dos medicamentos e troca de curativo. Não reclamava, muito menos ficava tentando tirar a patinha.”

Aquele abraço...

E até na hora de tirar a foto pro post, ele deu a patinha e esperou pacientemente pelo clique.
Como se não bastasse, “dar a patinha” não é a sua única habilidade. Ele sabe conquistar como ninguém e até dá abraço!
E ai de você se para perto dele e não dá atenção. Ele late, põe a cabeça debaixo da sua mão, fica em pé nas patas traseiras e apóia as dianteiras na sua perna, tudo por um pouquinho da sua atenção.
Eu, derretida que sou, caí facinho nas graças do sem-vergonha. E valeu a pena. Ganhei um dos abraços mais fofos da minha vida.
Aposto que se o Preto estivesse no hospital pra segurar a minha mão quando eu era criança, eu não tinha feito o inferno de tantos médicos hehehe.

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Sobre razão e sentimento


Bertioga sorrindo pra foto.

Olá, humanos.
Eu sou a Deka Pimenta e eu sou sentimental.
Imagine que você vive num mundo dominado por seres supostamente mais inteligentes. Esses seres criam um meio de se locomover mais rápido e confortavelmente por longas distâncias. Esses meios não te servem, portanto você por sua vez, se locomove com suas próprias pernas.
Sim, você precisa se locomover, porque é necessário procurar pelo seu próprio alimento e por um local sossegado para descansar, ou seja: sobreviver. Não, esses seres “mais inteligentes” não cuidam de você, mesmo sendo mais vulnerável do que eles.
Agora imagine que, um dia em sua jornada andarilha, você precisa atravessar entre

Na dele, como sempre.

os tais meios de locomoção e acaba sendo atropelado. Não se esqueça de que a espécie que domina o mundo não fala sua língua, é egoísta e acha que a sua vida vale menos do que o veículo dele, ou nada.
O Bertioga foi resgatado pelo pessoal da Adote Já na estrada de Mogi que segue para o litoral, conhecida por Mogi-Bertioga, atropelado. Várias fraturas. Um dos ossos da pata, fraturado em três pontos. Ele passou por várias cirurgias e foi necessário inclusive, um implante de platina na pata traseira.
Agora você, que é um humano, ser inteligente e racional, no lugar do Bertioga certamente ficaria revoltado com a espécie dominante, certo?

"Que que tá pegando aí dentro, gente?"

Pois é, meus caros. Nós SOMOS egoístas. Os cães não.
O Bertioga deita no cantinho dele e fica sossegado. Raramente late. E caso você se aproxime, ele deita a cabeça em seu colo pra um chamego. Irresistível. E pensar que ele passou por tanta dor e dificuldade.
Ele aguarda adoção em seu hotelzinho.
Não está no canil da ong, porque a grade é baixa e o danado pula pra escapar, correndo o risco de prejudicar a pata com o implante.
Podemos ver em seus olhos a gratidão que sente pelos cuidados que recebeu. E também a esperança de que a família que o adote se importe tanto com ele, quanto se importam consigo mesmos.
É nessas horas que revemos nossos conceitos e descobrimos que sermos considerados “racionais”, nem de longe nos fazem superiores aos demais seres.

Veja mais fotos do Bertioga e da feira de sábado, clicando aqui.

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O Jurado


Olá, humanos!

O Jurado antes do banho.

Eu sou a Deka Pimenta e eu odeio quando invadem o meu território.

Quando eu cheguei na feira, ele estava num canto e carregava o mesmo olhar assustado de todos os cães resgatados que vão para a adoção: expectativa, medo, dúvidas e muita, muita carência.
E ao chegar perto dele e tocá-lo, tudo isso desapareceu. Surgiu um cachorro alegre, desesperado por carinho e fazer novos amigos, daqueles que se enrolam na sua perna e deitam a cabeça no seu colo, esperando por um afago.
O Jurado ganhou esse apelido, porque ele não gostava que motoqueiros

O cabelo dele tava tão grande, que deu até pra fazer moicano.

invadissem a rua em que ele morava. Afinal, a rua era território dele e era necessário defender a latidos e mordidas no calcanhar, certo?
Só que os motoqueiros não achavam que a rua era do Jura e resolveram se unir pra matá-lo. Foi então que um dos guardadores entrou em contato com a Adote Já e avisou a respeito do pobre dog que estava jurado de morte.
É nessa hora que nós voltamos à minha chegada na feira e eu fui automaticamente atraída por aquele esfregão fofo de quatro patas. Digo “esfregão” porque o Jura nunca tinha tomado um banho na vida dele. Os pelos não só estavam todos duros e grudados, como eu fiquei com a mão PRETA só de brincar com ele. E ainda assim, me apaixonei à primeira abanada de rabo.
No sábado seguinte eu o vi de novo e ele estava irreconhecível! Tá, exagerei. Nem tanto. Mas ele tava de banho tomado, cabelo cortado, pelo macio e brilhante e gravata! Era um novo cão.

Olha o que ele faz pra ganhar carinho!

Eu gostaria de terminar este post dizendo que depois do banho de loja e ficar um – com o perdão do trocadilho – gatão, o Jura foi adotado por uma família legal, com filhos que iam brincar com ele todos os dias.
Mas por ser um cão já adulto, isso é um pouco mais difícil de acontecer.
Espero em breve poder atualizar esse post, com a foto da família que o Jura adotou.
Enquanto isso, preciso parar de me apaixonar por um bicho diferente a cada feira que visito.

Vejam mais fotos do Jurado e da feira do dia 20/11, clicando aqui.

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DENÚNCIAS


LAR TEMPORÁRIO

Se você tem um espaço em casa e pode cuidar de algum animal, sejam filhotes, adultos ou em tratamento, será uma grande ajuda, pois o abrigo da ONG Adote Já é bem pequeno e na maioria do tempo quem cuida de tudo sozinha é a Karina. Alguns voluntários ficam com animais em suas casas durante a semana e no sábado levam para a Feira de Adoção, assim conseguimos tirar mais abandonados das ruas.

Protetora Nívea dando mamadeira para um gatinho

Há casos de filhotes que foram abandonados ainda amamentando e quando não temos uma cachorra ou gata produzindo leite temos que fornecer alimento com mamadeiras. Em alguns casos temos que fazer isso a cada 2 horas! É trabalhoso mas é a única chance de sobreviverem. Quando eles começam a comer alimentos secos já podem se doados.

Filhotinhos na casa da protetora Heidi, até sua cachorra Maria Sofia, ajuda a cuidar

Filhotes já se alimentando de ração seca são bem mais fáceis de cuidar, é necessário alimentá-los de 2 à 3 vezes, fazer a higiene do local e ver muita brincadeira…como gostam de brincar!
Cães em tratamento de saúde são um caso a parte, podem estar doentes, ou machucados, os cuidados são intensos e deve-se sempre prestar atenção para ter a certeza que o tratamento está funcionando. Após total restabelecimento também vão para adoção!

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