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O valor das coisas


Olá, humanos.

Eu sou a Deka Pimenta e pra mim objetos são objetos, enquanto vidas são vidas.

As pessoas adquiriram o estranho hábito de confundir essas duas coisas e tratam objetos como vidas e vidas como objetos.

O mais recente exemplo que eu tive, foi o da Bibica.

Ela é uma cadela de porte grande e pelo dourado, sem raça definida.

Foi atropelada e machucou bastante a pata dianteira direita, então seu dono a levou ao veterinário.

Lá, o “profissional” disse que seria necessário uma cirurgia para a patinha dela ficar perfeita, mas também poderia tentar imobilizar, com um grande risco de o osso calcificar torto.

O dono optou por imobilizar. Ela ficou com a patinha torta.

Quando ele foi buscá-la e a viu mancando, simplesmente a abandonou no veterinário, como se desfizesse de um objeto que foi danificado sem conserto.

O “profissional” a manteve lá por um tempo, mas sabia da dificuldade de conseguir quem adote um animal grande e deficiente. Então ele tomou a sábia decisão de sacrificá-la, dizendo que estava gastando ração com a Bibica.

Por sorte a voluntária Mariana ficou sabendo do caso e abrigou a Bibica em sua casa.

Mas confesso que me cortou o coração ver a coitadinha na feira de sábado passado.

Quando não havia ninguém dando atenção a ela, ficava deitada no chão com os olhos tristes, ganindo.

De mulher pra mulher, a gente sabe o que é ter um coração partido. Ela ficava tentando sentar, ainda pouco adaptada à pata com problema e quando sentei perto dela, a Bibica só deitou a cabeça no meu colo e ficou lá quietinha. Nem fez festa como os outros cães fazem.

Espero de coração que a Bibica encontre logo alguém que a faça feliz e a trate como um cão merece. Porque ser confundida com um objeto ela já foi.

Veja mais fotos da Bibica e da última feira de adoção, em nosso flickr.

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Parasitas


Olá, humanos.

Eu sou a Deka Pimenta e esta é uma adaptação de um conto que foi publicado em meu blog pessoal, inspirado no comportamento cotidiano da maioria. No início, envolvia somente pessoas. Mas poucas alterações igualam e ele serve pra qualquer realidade. Se quiser, confira a versão original.

Tinha cinco anos e a mãe o levou para o playground do parque. A tia acompanhou porque elas tinham muito o que conversar. Para ele a novidade era achar o parquinho vazio. Ter o balanço só pra ele e o escorrega sem fila.

Afastou-se dos bancos onde a mãe e a tia sentaram e começou brincando de fazer montinhos de areia. Ainda era cedo e a areia estava molhada do sereno. Depois de cansar dos montinhos, deixou-se cair sentado e mirou o céu azul por alguns minutos. Não pensou muito no tamanho daquilo, ou de onde vinha aquela cor. Só lembrou-se da mãe apontando pra imensidão quando contou do lugar onde a avó estava morando agora.

Mas quando se sentou no balanço, notou algo dentro do tubo de concreto que não estava lá nos outros dias. Parecia um ursinho de pelúcia sujo, mas respirava.

Aproximou-se sem medo, apenas com curiosidade. Acocorou-se e ficou a observar o ursinho sujo que estava vivo. Primeiro ele só respirou. Mas logo o perfume de talquinho lhe chamou a atenção e o cão ergueu o focinho para encará-lo. O garoto se assustou com o movimento repentino e caiu sentado. Depois riu e estendeu a mãozinha para acariciar-lhe o cocoruto.

_Você mora aqui? Por que não dormiu na sua casa?

O cão não respondeu. Apenas cheirou-lhe a mão e tornou a deitar.
O garoto entortou a cabeça para o lado, pensando que era muito melhor dormir em casa.

_Mas sua mãe tá aonde?

O cão moveu a orelha para o afago. O menino novamente se viu sem entender. Não ter mãe estava além do que o mundo já lhe havia oferecido como experiência. Então resolveu ignorar e matar outra curiosidade.

_É legal morar no parquinho?

Um leve estremecimento passou pelo corpo do cachorro. Estava com frio. Isso o menino entendeu. Então pensou que além de frio, ele devia estar com fome.

_Tenho um lanche que minha mãe sempre traz. Vou lá pegar pra você.

Levantou-se e correu até a mãe.

_Mamãe, conheci um cachorro que mora no parquinho!

_É, filho? Que legal!

_Me dá o bolinho pra eu dividir com ele?

_Deixe-me limpar suas mãos primeiro. Tome. – Entregou a embalagem aberta ao filho e voltou-se para a irmã – Então quando nos encontramos de novo…

O filho não ficou para ouvir o resto da conversa, já que a mãe, a princípio, não pareceu muito interessada no seu assunto. Correu até o tubo com a merenda.Entregou metade do bolinho para o animal, que devorou sua parte e em seguida olhou cobiçoso para a outra que ainda estava nas mãos do garoto. Um súbito entendimento o fez estender também a sua porção a ele.

O cão devorou tão rapidamente quanto antes. A criança entendeu que ele estava feliz por ser alimentado.

_De nada. Pode comer. Em casa tem mais. Aí você pode esperar até sua mãe trazer a sua comidinha.

De repente, lá no fundo, o menino sentiu que o cão não tinha uma mãe para levar-lhe a comidinha. Um fio gelado de realidade passou pelo seu coraçãozinho ingênuo e ele começou a pensar coisas terríveis como não ter mãe, casa ou algo pra comer.

Então ele teve uma grande ideia:

_Já sei! Você pode morar lá em casa, até a gente acha uma mãe pra você! Mãee! A gente pode…

Não foi necessário terminar a frase. A mãe, que ao fim de alguns segundos estranhou o que o filho lhe dissera, apareceu em suas costas, pegando-lhe pelas axilas e o afastando o mais rápido possível de lá.

_Você não pode chegar perto desse vira-lata! Ele pode ter raiva!

_Não tem não, mãe! Ele só tinha fome. Precisa de uma casa e uma mãe.

_Ela é sujo. Não pode ficar perto dele. Vai te passar pulgas. E sarna.

A mãe parecia bastante assustada ao afastar-se apressadamente.

Foi então que veio a segunda grande descoberta daquele dia: cachorros que moravam na rua eram sujos, tinham raiva, sarna e pulgas. Não devia aproximar-se deles.

O tempo veio e ele cresceu do jeito que a mãe lhe ensinou: ignorando a realidade que não lhe dizia respeito e atirando algumas moedas para ongs de vez em quando para acalmar a consciência. Mas de longe, para que não pegasse pulgas.

Confira as fotos da feira de adoção do último sábado, clicando aqui.

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Campuseiros também adotam


Olá, humanos.

Eu sou a Deka Pimenta e tirei umas férias meio longas, mas já estou de volta.
Nesse período de “folga” eu viajei, descansei e fui a um evento onde fãs de internet e tecnologia se encontram e passam uma semana acampados no Centro de Exposições Imigrantes, assistindo a palestra e fazendo amigos. Já é o segundo ano em que eu participo deste evento e embora tudo isso seja considerado assunto de “nerd”, eu acho muito divertido.

Este ano, como já fazia algum tempo que eu não postava nada aqui no blog da ong, resolvi fazer a cobertura animalística do evento.

Então saí pela arena procurando entre as mesas os campuseiros (apelido de quem participa da Campus Party) que haviam adotado seus pets e a primeira que encontrei foi a Mariana Bonfim.

Mariana Bonfim

Conheci a Mariana o ano passado, na primeira Campus Party que eu fui e sempre vi as fotos dos gatos que ela publicava na internet.

Ela me contou que adotou os dois (Mister Billy Jim e Lady Morgana Mariah, sente só os nomes chiques) em uma ong. A Morgana, por exemplo, tinha só 3 meses em 2007 e estava no centro de zoonoses, prestes a ser sacrificada, quando foi adotada.

Já o Mister Billy, é tipo um avestruz que come de tudo. Até iogurte no dedo da mamãe.

Maira Bottan

Depois encontrei a Maira Bottan. Ela tem três cachorros. Duas são adotadas e são cadelas de guarda: Diana, uma pit bull e Menina, mestiça de dobermann com rottweiler (sente só). Elas vivem na chácara da família e são de temperamento difícil, mas carinhosas com os donos a ponto de virar com as quatro rodinhas pra cima, pra ganhar cosquinha na barriga.

Maira contou que, quando o pai dela se senta a beira da piscina, as duas sentam ao lado dele, como guarda-costas e ficam “vigiando o perímetro”.

Aí, eu achei a Renata Prado, que também é mamãe de dois gatos: o Zecat e o Sr. Gato (adorei a criatividade dos nomes!)
O Sr. Gato foi o primeiro a ser adotado, em dezembro de 2007.

Eu e Renata Prado

Daí, um dia uma amiga dela adotou uma gata com uma ninhada. Um dos filhotinhos era Zecat, que cativou a Renata e ela teve que ficar com ele. Sabe como são os gatos, né? Tanto que eles acordam a dona todos os dias. E quando ela resolve que vai ficar mais “10 minutinhos” na cama, eles deitam ao lado dela pra dormir também. Mas essa meiguice toda é só de manhã. Eles são ariscos a maior parte do tempo.

E por fim, corri até a praça de alimentação pra encontrar a Dani Koetz.
Essa gosta de viver perigosamente, porque tem quatro cães. Toddy, Aisha e Lucky são labradores. Dois labradores e uma SRD (a Dulce) são adotados. Imaginem quando ela sai com a galera toda pra passear?

E o que não falta nessa família são histórias caninas pra contar.

Dani Koetz e sua turma da pesada

Dulce foi encontrada pela dona em 2004, em frente à faculdade. Era uma bolinha de pelos toda judiada e cheia de pulgas. Dani se comoveu com o bichinho e disse brincando à cadela: “Dá um sinal de que se eu te levar comigo, você vai ser minha amiga.” E a cadelinha começou a UIVAR na mesma hora! A ideia era que Dulce ficasse com a avó do marido de Dani, mas o tempo foi passando e ela ficou por lá mesmo.

Em casa, Dulce domina o sofá. Se ela está deitada e vê que alguém se aproxima para sentar, ela finge que está dormindo. Fecha os olhos e fica imóvel, até a pessoa desistir.

Sessão de fotos

E aí, nas indas e vindas pela arena, entre uma palestra e outra, notei certa comoção na área de descanso entre os palcos. Curiosa, fui “investigar” o motivo do tumulto e vejo o cãozinho do Ig tirando fotos com os participantes do evento.

Fui conversar com a treinadora e ela me disse que na verdade, o cãozinho era cadelinha e se chamava Cristal. Ela ia para a Campus Party três horas por dia, para a sessão de fotos. O mais fofo, é que ela ficava prestando atenção em todo mundo que a rodeava. Ganhei até duas lambidinhas dela, antes da foto. Mas quando o fotógrafo chamava, ela olhava para a câmera e sorria (sim, sorria!) até a foto ser batida.

Ensaio nu artístico, e de muito bom gosto.

Fofura nível 100!

Cristal com certeza foi a estrela da festa e teve todas as atenções direcionadas à ela, a cada aparição. E mesmo sendo uma cadelinha famosa, foi simpática e atenciosa com todos os fãs.

E é isso, pessoal. Essas foram as

Cristal em sessão de autógrafos

notícias animalísticas do evento, que teve muitas horas de conversa sobre cães e gatos e presença ilustre de uma estrela.

Logo menos eu volto com mais histórias pra contar.

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A Princesa e a Pinguim


Pinguim

Olá, humanos.
Eu sou a Deka Pimenta e acredito em finais felizes.
Era uma vez, uma bolinha preta de pelos que tinha um encurtamento nos nervos das patinhas traseiras e andava de um jeito engraçado. Por isso, foi apelidada de Pinguim.
Mas a Pinguim não era uma bolinha de pelos qualquer. Quando ela nasceu, seus irmãos riam do seu jeito engraçado de andar. E em uma noite que ela estava muito triste, sua fada madrinha apareceu e tocou o seu nariz com a varinha de condão, dizendo a seguinte profecia: “Você é diferente dos seus irmão. E por isso, só poderá pertencer a uma princesa de coração nobre.” E foi então que, no sábado seguinte, Pinguim e seus irmãos foram para a feira de adoção da ong Adote Já.
De dentro da grade, ela ficava olhando todas aquelas pessoas passando de um lado para

Pinguim e sua fada madrinha, Karina.

o outro e ficava tentando adivinhar qual delas seria a princesa de coração nobre.
Em dado momento, um dos colos a levou até o balcão de cadastro para adoção. Seu coração acelerou, mas lá dentro um friozinho de medo a impediu de ficar feliz com a nova família. Era um mau pressentimento.
Foi então que ela ouviu:
_Mas por que ela anda desse jeito esquisito?
_Ela tem um probleminha nas patas traseiras. Acho que é um encurtamento dos nervos ou tendões.
_Então cancela. Cancela! Não quero cachorro pra me dar dor de cabeça.
E de repente ela estava de novo, dentro da grade e sem colo.
Entristeceu-se e escondeu o focinho nas patas. Começou a achar que a fada madrinha havia cometido algum tipo de engano.
Já não se animava mais com os colos que apareciam. Talvez a tal princesa nem mesmo existisse.
Foi por isso que, quando a rainha lhe pegou no colo, Pinguim só percebeu que algo novo estava acontecendo quando se viu novamente no balcão de adoção. Ergueu a cabecinha, o coração batendo mais forte, buscando desesperadamente qualquer sinal que dissesse que aquela era a sua princesa. Mas nada surgiu.
A rainha se sentou e começou a preencher os papéis. Pinguim deitou no colo dela e ganiu baixinho, sem saber porque a princesa não foi buscá-la.

Pinguim e a Princesa

_Mamãe, posso segurar ela um pouquinho?
Ao som dessa voz, algo mágico tocou dentro de Pinguim. Ela sentiu a força daquela voz e uma afeição imediata, sem mesmo ver quem tinha falado.
Mãos pequeninas envolveram seu corpo com cuidado e ela se sentiu abraçada, em um colo delicado. Ao olhar nos olhos da garotinha, Pinguim soube na hora que ela era a sua princesa. Ela possuia a nobreza e seriedade que só as crianças têm. Sentiu-se imediatamente em casa, com a sua família. Aninhou-se no colo e agradeceu silenciosamente à fada madrinha.
E elas viveram felizes para sempre.

Para ver mais fotos de Pinguim e da feira de sábado passado, clique aqui.

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Vivendo e aprendendo


Olá, humanos.

Esse é o Preto me seduzindo.

Eu sou a Deka Pimenta e eu fazia o maior escândalo quando precisava ir pro hospital.
Juro! Quando eu era criança, tive bronquite. E quem já teve casos na família, sabe que as internações são tão rotineiras, que acabamos conhecendo os enfermeiros e médicos por nome e horário de plantão.
Acontece que eu sempre fui uma criança chorona. Então, quando tinha que tirar sangue, tomar injeção, ou soro na veia, era preciso o médico, a enfermeira, minha

Agora só tem a cicatriz na patinha dele

mãe, meu pai e mais dois seguranças pra me segurar quieta e os pobres profissionais da saúde poderem trabalhar. Coitados. Vocês vão pro céu, amigos. Sério!
Estou contando mais essa experiência aqui, porque depois que eu conheci o Preto, fiquei vergonha dos meus vexames.
O coitadinho chegou na Adote Já com um baita dum talho na pata, que praticamente a dividiu em duas.
“Mas durante o tratamento”, conta Priscila, “ele ficava quietinho pra aplicação dos medicamentos e troca de curativo. Não reclamava, muito menos ficava tentando tirar a patinha.”

Aquele abraço...

E até na hora de tirar a foto pro post, ele deu a patinha e esperou pacientemente pelo clique.
Como se não bastasse, “dar a patinha” não é a sua única habilidade. Ele sabe conquistar como ninguém e até dá abraço!
E ai de você se para perto dele e não dá atenção. Ele late, põe a cabeça debaixo da sua mão, fica em pé nas patas traseiras e apóia as dianteiras na sua perna, tudo por um pouquinho da sua atenção.
Eu, derretida que sou, caí facinho nas graças do sem-vergonha. E valeu a pena. Ganhei um dos abraços mais fofos da minha vida.
Aposto que se o Preto estivesse no hospital pra segurar a minha mão quando eu era criança, eu não tinha feito o inferno de tantos médicos hehehe.

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Sobre razão e sentimento


Bertioga sorrindo pra foto.

Olá, humanos.
Eu sou a Deka Pimenta e eu sou sentimental.
Imagine que você vive num mundo dominado por seres supostamente mais inteligentes. Esses seres criam um meio de se locomover mais rápido e confortavelmente por longas distâncias. Esses meios não te servem, portanto você por sua vez, se locomove com suas próprias pernas.
Sim, você precisa se locomover, porque é necessário procurar pelo seu próprio alimento e por um local sossegado para descansar, ou seja: sobreviver. Não, esses seres “mais inteligentes” não cuidam de você, mesmo sendo mais vulnerável do que eles.
Agora imagine que, um dia em sua jornada andarilha, você precisa atravessar entre

Na dele, como sempre.

os tais meios de locomoção e acaba sendo atropelado. Não se esqueça de que a espécie que domina o mundo não fala sua língua, é egoísta e acha que a sua vida vale menos do que o veículo dele, ou nada.
O Bertioga foi resgatado pelo pessoal da Adote Já na estrada de Mogi que segue para o litoral, conhecida por Mogi-Bertioga, atropelado. Várias fraturas. Um dos ossos da pata, fraturado em três pontos. Ele passou por várias cirurgias e foi necessário inclusive, um implante de platina na pata traseira.
Agora você, que é um humano, ser inteligente e racional, no lugar do Bertioga certamente ficaria revoltado com a espécie dominante, certo?

"Que que tá pegando aí dentro, gente?"

Pois é, meus caros. Nós SOMOS egoístas. Os cães não.
O Bertioga deita no cantinho dele e fica sossegado. Raramente late. E caso você se aproxime, ele deita a cabeça em seu colo pra um chamego. Irresistível. E pensar que ele passou por tanta dor e dificuldade.
Ele aguarda adoção em seu hotelzinho.
Não está no canil da ong, porque a grade é baixa e o danado pula pra escapar, correndo o risco de prejudicar a pata com o implante.
Podemos ver em seus olhos a gratidão que sente pelos cuidados que recebeu. E também a esperança de que a família que o adote se importe tanto com ele, quanto se importam consigo mesmos.
É nessas horas que revemos nossos conceitos e descobrimos que sermos considerados “racionais”, nem de longe nos fazem superiores aos demais seres.

Veja mais fotos do Bertioga e da feira de sábado, clicando aqui.

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O Jurado


Olá, humanos!

O Jurado antes do banho.

Eu sou a Deka Pimenta e eu odeio quando invadem o meu território.

Quando eu cheguei na feira, ele estava num canto e carregava o mesmo olhar assustado de todos os cães resgatados que vão para a adoção: expectativa, medo, dúvidas e muita, muita carência.
E ao chegar perto dele e tocá-lo, tudo isso desapareceu. Surgiu um cachorro alegre, desesperado por carinho e fazer novos amigos, daqueles que se enrolam na sua perna e deitam a cabeça no seu colo, esperando por um afago.
O Jurado ganhou esse apelido, porque ele não gostava que motoqueiros

O cabelo dele tava tão grande, que deu até pra fazer moicano.

invadissem a rua em que ele morava. Afinal, a rua era território dele e era necessário defender a latidos e mordidas no calcanhar, certo?
Só que os motoqueiros não achavam que a rua era do Jura e resolveram se unir pra matá-lo. Foi então que um dos guardadores entrou em contato com a Adote Já e avisou a respeito do pobre dog que estava jurado de morte.
É nessa hora que nós voltamos à minha chegada na feira e eu fui automaticamente atraída por aquele esfregão fofo de quatro patas. Digo “esfregão” porque o Jura nunca tinha tomado um banho na vida dele. Os pelos não só estavam todos duros e grudados, como eu fiquei com a mão PRETA só de brincar com ele. E ainda assim, me apaixonei à primeira abanada de rabo.
No sábado seguinte eu o vi de novo e ele estava irreconhecível! Tá, exagerei. Nem tanto. Mas ele tava de banho tomado, cabelo cortado, pelo macio e brilhante e gravata! Era um novo cão.

Olha o que ele faz pra ganhar carinho!

Eu gostaria de terminar este post dizendo que depois do banho de loja e ficar um – com o perdão do trocadilho – gatão, o Jura foi adotado por uma família legal, com filhos que iam brincar com ele todos os dias.
Mas por ser um cão já adulto, isso é um pouco mais difícil de acontecer.
Espero em breve poder atualizar esse post, com a foto da família que o Jura adotou.
Enquanto isso, preciso parar de me apaixonar por um bicho diferente a cada feira que visito.

Vejam mais fotos do Jurado e da feira do dia 20/11, clicando aqui.

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